Só passaram dois dias e já se passaram tantas coisas… tantas emoções que já senti e ainda agora cheguei! Estamos perdidos num sitio perdido, rodeados de pessoas, cheiros e hábitos muito diferentes daquilo que vivi até hoje.

Não sei se estou triste ou contente, se arrependida ou entusiasmada. Estou certa de que é uma experiência muito nova e realmente corajosa para mim. Não é só o facto de estar muito longe de todos os que amo, mas o de me sentir como num monólogo, apenas dependente de mim, sem ninguém para amparar.

Este grupo ainda está longe de ser coeso e unido. Acho que somos pedaços de almas corajosas com objectivos e formas de estar muito diferentes na vida. Talvez por isso me sinta inibida, coisa que nunca me senti na minha vida. Acho que se alguém que me conhece aqui estivesse, não me reconheceria… Não que não esteja a ser eu, mas talvez esteja a descobrir o que sou na realidade e como me comporto quando não me sinto inserida. Há pessoas que penso que me vou aproximar e outras que nunca o vou conseguir. Sinto falta de conforto… não material em termos de comodidade, mas conforto afectivo e emocional, alguém que me compreendesse.

O ser humano é muito complicado e continuo achar que mesmo este grupo de jovens “diferentes” por serem mais corajosos do que o normal, nem todos se vão ajudar de alma e coração, até eu, não sei se vou conseguir. O clima está estranho, todos muito tensos e divididos, facto perfeitamente usual, infelizmente, num grupo. uns juntam-se com uns outros com outros e ironicamente estão todos no mesmo local e pela mesma causa.

Acredito que vamos rir muito juntos, chorar, discutir, enfim viver e conhecer uma nova realidade, descobrindo a dificuldade que é a adaptação a novos hábitos.Estou muito introspectiva, não sei porquê… estou confusa, saudades, tristeza, medo, ansiedade e força interior acho que são boas palavras para caracterizar os meus sentimentos. Por agora prefiro não me mostrar muito.

Setembro 2005 

Estágio profissional na Amazónia

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