Já percebi porque é que as mulheres têm direito a estar em casa com os filhos quando nascem…
É a ouvir uma música, a ver a vista, a andar a pé, a apanhar sol, a descansar, que realmente podemos abrir o nosso coração e deixar entrar mais alguém. Só assim. Só assim neste ambiente calmo sem nada para fazer ou pensar, posso Amar alguém. Estou disponível para isso, para reflectir e Amar mais uma pessoa;
Claro que o estar sem fazer nada tem muito que se lhe diga… mas quando estamos a fazer algo com tanto prazer, não custa , e daí me sentir livre de obrigações! Faço porque Amo; E quando fazemos porque Amamos não temos direito a queixas!
Ponho a mama de fora como quem respira naturalmente, canto como um tenor, ligo secador, exaustor e tudo o que apanhar à frente e que faça barulho, faço massagens ventre-liso, anti-celulíticas, respiratórias e sou especialista de tudo o que seja preciso, procuro chuchas a toda a hora, perco meias sem perceber como, mudo roupas e mais roupas e nunca tenho um pano quando preciso, ponho manta, deito no berço, levanto do berço e volto a deitar, pancadinhas no rabinho, pancadinhas nas costinhas, para não acordar! Fraldas, soro no nariz e um creme disto e daquilo, vai um arroto, vai uma bolsadela mesmo em cima da camisa que acabei de vestir, toalhitas e água para não assar, e cuidado com o pescoço não vá a cabeça tombar!
Nas entre linhas deste rodopio tento comer qualquer coisa, fazer um xixi rápido, tomar banho num segundo e quando dou por ela mais um choro, mais um embalo, mais uma mama, mais um um mimo! E é esta correria agradável, este cansaço bom que nos enche os dias, as semanas e os meses que estamos em casa… sem nada para fazer!
2012 – Mãe 2 filhos (Alice e Manel)