Esse mundo longe para onde a vida te leva tantas vezes, essa angústia que te guia para tristezas nunca antes reveladas, e as coisas que nem contigo própria terás coragem de partilhar, as culpas desesperadas que te levam para onde aprendeste a viver, nesse lugar tão teu e reservado. Não precisas de ultrapassar aquilo que não se ultrapassa, simplesmente não precisas.
Esse teu lugar melancólico e sombrio que só as estrelas de noite conseguem entender a densidade das suas luzes, sofrimentos vividos em tantos momentos que nem a vida tem tempo de sentir.
Mesmo sabendo tudo isto de ti, mesmo guardando para mim os lugares teus onde me deixaste entrar, existe uma profunda admiração pelo exemplo de coragem, resiliência e assertividade que sempre me conseguiste dar.
Ainda assim não haveria mais ninguém que me pudesse preencher tanto como me preenches, Ainda assim seria impossível não saber que o que sou te devo inteiramente a ti, Ainda assim tenho uma alegria escondida por essa tua tristeza te ter tornado uma poeta de verdade; Ainda assim terei sempre de ti uma necessidade estranha que não se explica, não se escreve, não se fala.
É um sentimento que não existe, que se perde na imensidão da sua complexidade, um sentimento que nunca conseguiremos desvendar nem explicar a ninguém… são pedaços de útero que ficam dentro de nós, são pedaços de beijos cheios de amor que recebemos, são olhares que nem nos lembramos, são presenças de ti mesmo quando não estás, são músicas cantadas para me adormecer. São aquilo que chamam “Amor de mãe” sem perceberem o quão ignorantes estão a ser chamando um nome a algo que é intrínseco, animal, estranho e incoerente;
Incoerente sim, porque não é constante, muda de intensidade, muda de perspectivas, muda de necessidades, muda de papeis, e é tão verdadeiros que nos permite sermos incoerentes, incorrectos, injustos, porque é o único onde podemos mostrar o pior de nós, em que podemos desiludir e nada se move, tudo permanece, tudo se volta a construir, é o único que não tem fim.
E tudo não passam de palavras que a vida leva, a vida esquece, e tudo acaba sem que faça sentido algum… mas ao leres espero que sintas cada virgula, cada ponto, cada sentimento que não disse mas que sentiste, cada pedaço de verdade que me sai dos dedos quando escrevo e não penso;
Confesso que só tenho conseguido pensar em ti todos os minutos do meu dia, porque alguém que não tem nome para mim está frágil e com medo… não tenhas medo… o medo não existe quando temos alguem. quando tens tanta gente que te quer tanto como eu quero, que estará contigo em todos os momentos para sempre e até ao ultimo suspiro…
E disso tenho a certeza que sabes, sem nunca duvidar, que Eu sou…
Incondicionalmente e para todo o sempre,
Tão tua minha mamã
2016 – mãe de 3 filhos (Alice, Manel e Francisco)