Sou noctívaga
Há anos que tenho insónias
Acho que o corpo me manda escrever
Ando embrulhada nesta dependência
Uma luta interior que não tem fim
Não sei se quero que tenha
É aqui nas palavras que me encontro
Aqui na escuridão entre pedaços de papéis soltos que me descubro
Sou escrava
Escrava de uma escrita que me alimenta
De uma água que mata a sede
Da imensidão da noite que parece não ter fim
Uma e mais uma outra vez
Escrevo para viver e vivo para escrever
Sou eterna
eternamente assim
Com este necessidade lata de pernoitar nos versos que saem
Nas palavras guardadas que trago abafadas
Nas horas que não passam enquanto espero a noite
Sou Helena Saldanha
Desconhecida
56 anos
Alma sugada
Boa aparência
Amargurada na vida
Resiliência persistente
Calças 36
Rosto magro
Cabelo abundante
Alma escondida
Para a minha mãe com amor
Ines 2019