Vi erva na noite escura ainda sem cheiro
As luzes quase inexistentes
O meu coração deserto para conhecer
fazendo do fado a minha melhor companhia
Cheguei a Bissau
Em Bissau nunca estás sozinho
Desces uma rua na companhia de uma boa conversa
Nas bocas de quem acabaste de conhecer trocas palavras e partilhas um pouco de ti.
A naturalidade com que se ajuda o próximo é arrepiante e faz-te pensar.
Bissau, uma cidade onde não há tempo
Onde as ruas não têm nome e os bairros sem luz estão repletos de sorrisos descalços.
Bissau mulher coragem, trabalhadora de peito de fora e sorriso aberto
Crianças a chorar ao final de tarde no banho de balde na rua, esfregadas pelas suas mães, com um pedaço pequeno de sabão comprado.
Poeira, sacos, cartão, o lixo na rua, onde, se tropeças, tantas mãos te apanham.
Guiné povo abandonado de coração grande
Aguenta a dor que trazes no peito e junta esperança à tua alegria e força
O mundo são as pessoas
As casas, as formas de vida, os cultos, os hábitos, as roupas, as verdades.
O mundo não é só o que queremos ver
A realidade chocante acorda-te e faz-te descer desse pedestal onde nos sentamos a viver.
As crianças correm de mãos dadas e de sorriso iluminado
No fresco da noite as conversas são a luz da escuridão
As estrelas dão um tom de beleza às estradas esburacadas
As pessoas abrem as suas casas e com cortesia dão-te o melhor pedaço de pão.
Bissau, cidade perdida que percorro com prazer, sogada pela diferença, as horas passam sem relógio.
Os mercados no chão, a fruta, o peixe, as cores e gente quente no bafo que identifica África.
Com a sensação de calma e tranquilidade, aprendes a viver devagar …
Aqui deixas de ter pressa
E se perguntas OLÁ COMO ESTÁ ?
ESTOU BEN, ESTOU CONTENTE
