Enquanto dou uma sopa à gordinha mais pequena, os rapazes no quarto berram porque um tem sangue no nariz
No meio de mais uma colher de sopa e do algodão que já fui buscar para estancar o sangue, a mais velha lá fora está com uma crise existencial…porque os irmãos lhe tiraram o amor! Imagine-se!
E eu ando nestes dilemas de alimentação, saúde e psicologias que para 3 minutos é impossível não me confundir…
Desapareço no caos para tentar escrever, que ainda por cima é nestes momentos inóspitos que me vem a veia, mas entretanto o nome “Mamy” já foi soletrado 100 vezes e por diferentes vozes, atrás, dos lados e de frente … fui bombardeada com pancadinhas nas costas, puxadelas nas calças … e o som vai aumentando de nível roçando mesmo os berros!
Nas entrelinhas a Teresa já caiu, e a Alice, numa tentativa de chamar atenção mais activa, já vai vomitar porque uma indisposição repentina tomou conta dela…
Não desisto. Continuo.
O Manel, rapaz mais velho e esperto na técnica de sedução, beija-me o corpo todo para tentar dissuadir-me da escrita;
A pequena gordinha já se levantou da queda e segue sorrateiramente para a casa de banho… pois já percebeu que o caminho é livre durante os segundos da minha ausência;
O artista mais novo, irrequieto nato, mostra-me a todo o custo o sangue que ainda resta, tentando esforçar-se para que não pare de escorrer.
Bem lá no fundo a música relaxante toca com o intuito de apaziguar a confusão e eu habituada a este caos diário já me consigo “abstrair” e escrever enquanto a palavra “Mamy” continua a soar mesmo aqui bem em cima de mim!
Desisto e acabo
Pelo menos já desabafei e este lápis conseguiu vencer tudo o que me rodeia
A minha sorte é que à noite há silêncio e consigo curtir as insónias que me invadem;
Por agora
Mamyyyyyyyy
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